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ZOOLÓGICO DE RP REPRODUZ EM CATIVEIRO O RARÍSSIMO TAMANDUÁ-BANDEIRA


Filhote, de espécie ameaçada de extinção e difícil
reprodução em cativeiro, passa bem junto da mãe;
outros nascimentos como o filhote de papagaio
verdadeiro, macaco prego, mutuns, pavões e
emas fazem do zôo um grande berçário natural

A direção do Bosque Municipal “Fábio Barreto”, local que abriga o zoológico da cidade, está em festa. E desta vez a comemoração é grande. Graças ao trabalho conjunto do diretor administrativo do bosque, Gustavo Nonino, dos técnicos, biólogos e estagiários do local, nasceu no início do mês um filhote de tamanduá-bandeira – espécie ameaçada de extinção e de reprodução praticamente impossível em cativeiro, segundo os especialistas.

“A felicidade é imensa e gratificante para todos os funcionários do zôo”, diz Alexandre Gouvêa, zootecnista e chefe do bosque. “Principalmente porque poucos zoológicos no país conseguiram com sucesso a reprodução do tamanduá-bandeira em cativeiro. Somente os zôos de Bauru e São Paulo (capital) conseguiram tal feito. E agora Ribeirão Preto”, diz.

O filhote, de 40 cm no máximo e quase 1kg ainda não tem nome e sexo definido, já que a genitália tanto do macho quanto da fêmea do tamanduá-bandeira são parecidas e só será possível descobrir o sexo dentro de aproximadamente quatro meses, quando o filhote deixar a mãe. O bebê tamanduá-bandeira é cria do casal “Duduzão” e “Tamy”, que habitam o zôo municipal desde 2002, quando chegaram ainda filhotes e se adaptaram rápido ao local e alimentação à base de dieta.

Essa dieta, aliás, também será a base alimentar do mais novo membro do zoológico de Ribeirão Preto. Segundo Gouvêa, na natureza o tamanduá-bandeira, animal típico de cerrado podendo viver até 25 anos em condições favoráveis, ou seja, sem desmatamentos e queimadas, alimenta-se de até 30 mil insetos (formigas, cupins, larvas) por dia. Tudo graças a sua língua aderente e que chega a medir 50 cm. O animal não possui dentes.

“Como não temos acesso aos cupinzeiros, em cativeiro o filhote será tratado por uma dieta especial, rica em proteínas, à base de milho, arroz, ovos, ração canina altamente protéica, mamão e banana. Os alimentos são servidos como vitamina. Essa foi uma dieta que deu certo com os pais e por isso será aplicada também ao filhote. Se não se adaptarem a alimentação podem morrer”, explica o zootecnista.

O filhote já está no recinto recebendo cuidados especiais junto à mãe. O pai está no mesmo local separado por uma tela. Para o público visitante ainda é difícil a visualização da cria, devido aos hábitos noturnos que a espécie tem, uma vez que a mãe e o filhote saem da toca sempre por volta das 17 horas, próximo ao horário de fechamento do zôo.

Tamanduá-bandeira – Uma das razões da extinção da espécie, além dos desmatamentos e queimadas provocadas pela ação humana e que acabam com o cerrado, habitat natural do tamanduá-bandeira, está também a colocação de venenos nos cupinzeiros, o que conseqüentemente extermina a alimentação natural da espécie. Com o nome científico de Myrmecophaga tridactyla, o tamanduá-bandeira encontra-se distribuído nos campos e cerrados da América Central e do Sul.

Já adulto chega a medir até 120 cm, sendo mais de 90 cm só para a cauda. Vive no chão, mas também sobe em árvores e é capaz de nadar. Sua época reprodutiva acontece sempre na primavera e a incubação dura cerca de 190 dias, gerando um filhote de cada vez. É cauteloso, pacífico e solitário. Defende-se com as fortes garras das patas dianteiras e na primavera a fêmea dá à luz um filhote que carrega nas costas até cerca de um ano de idade.

Berçário natural – Além do raríssimo filhote de tamanduá-bandeira, o nascimento de outros filhotes fazem do zôo municipal um berçário natural nessa época do ano. Um filhote de papagaio-verdadeiro (o mais conhecido por falar e imitar a maioria dos sons, sendo a espécie mais conhecida) e que pela primeira vez foi reproduzido em cativeiro, um filhote de macaco-prego, seis mutuns (aves), cinco pavões e duas emas, também estão fazendo a alegria da equipe do zôo. Todos os filhotes ainda não estão expostos ao público por estarem recebendo cuidados especiais dos técnicos no Setor Extra do zoológico, onde fica a maternidade.

“Aguardamos para as próximas semanas o nascimento de uma siriema e a reprodução novamente das araras, o que nos traz orgulho e satisfação pelo trabalho que vem sendo desenvolvido e alcançando resultados positivos, tanto para o zôo quanto para os ribeirão-pretanos”, finaliza Gouvêa.
 


Fonte: www.estadao.com.br
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Publicado no Portal Movimento das Artes - 26/11/05