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Confinamento para
combater a Covid-19 fez o trânsito diminuir, e um composto químico
que surge com a queima de combustível é menos presente na
atmosfera das maiores cidades brasileiras.
Satélites
que monitoram os poluentes na atmosfera registraram uma melhora do
ar em grandes centros urbanos brasileiros, afirmam pesquisadores.
Com
as regras de confinamento impostas pelos governadores estaduais para
combater a Covid-19, diminuiu o trânsito de veículos.
Um
dos poluentes que são emitidos quando há queima de combustíveis fósseis
é o dióxido de nitrogênio. O satélite Sentinel 5P, da Agência
Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) registrou manchas desse
composto químico menores nas regiões metropolitanas do Brasil.
Os
dados foram transformados em mapas por Diego Hemkemeier Silva,
gerente de informações ambientais e geoprocessamento e Fábio
Castagna da Silva, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina
(IMA/SC).
Visualmente,
os maiores impactos são nas regiões metropolitanas de São Paulo,
Rio de Janeiro e Curitiba.
"A
principal variável que influencia é a redução do fluxo de veículos",
diz Hemkemeier. Os carros não são os únicos emissores de dióxido
de nitrogênio: usinas termelétricas que usam carvão mineral ou óleo
pesado para gerar energia também dispersam o composto na atmosfera.
Esse tipo de geração é pouco presente no Brasil --na Europa e na
China, elas são mais comuns, e, por isso, as manchas nesses outros
lugares retrocederam mais, diz ele.
Ainda
não há tempo suficiente para fazer uma comparação com números,
ele explica. Em um período curto, fatores como vento, chuva,
umidade do ar podem influenciar os dados, então é preciso aguardar
para poder fazer uma avaliação mais precisa. O pesquisador estima
que sejam necessários 30 dias.
Leonardo Hoinaski, professor da Universidade Federal de Santa Catarina,
especializado em poluição atmosférica, diz que é difícil medir
os benefícios desse tipo de redução de poluição. O dióxido de
nitrogênio causa problemas de respiração, que podem, inclusive,
agravar a condição dos pacientes da Covid-19.
"Se
essa redução se mantivesse ao longo dos anos, os efeitos seriam nítidos",
diz.
Os
carros emitem outros poluentes que também diminuíram, ainda que não
apareçam no mapa, diz Honiaski.
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