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O
home office é só o começo: as empresas vão encontrar novos
desafios e devem se inspirar em tendências do futuro do trabalho

Por Luísa
Granato
Não
é só a implantação de home
office que foi acelerada dentro das empresas por causa da
pandemia do coronavírus.
A corrida pela modernização diante da crise vai trazer novos
desafios para as organizações.
Segundo
o Estudo Global de Tendências de Talentos 2020 da Mercer, as
companhias vão precisar de empatia para vencer a crise e qualquer
outro cenário desafiador. A pesquisa realizada no final de 2019 com
7.300 executivos sênior de negócios, líderes de RH e funcionários
de nove setores-chave, em 34 países, identificou quatro fortes tendências
para 2020.
A
consultoria global não poderia ter previsto a mudança no mundo
corporativo com o covid-19, mas a pesquisa aponta para necessidades
de mudanças nas instituições diante de um mercado que cada vez
mais exige agilidade para se adequar a novas tecnologias e
contextos. É um quadro que se agrava com a pandemia.
Para
34% dos funcionários pesquisados, seus empregos já estavam sob
ameaça e eles acreditavam que poderiam ser substituídos em três
anos. E 63% dos líderes de RH já previam um crescimento salarial
estagnado para 2020.
“A
mudança repentina acelerou as tendências vistas na pesquisa. O que
empresas não fizeram em cinco anos, fizeram nas últimas cinco
semanas. O cenário trouxe urgência para planos que estavam sendo
estudados no RH”, comenta Ana Laura Andrade, líder da área de
estratégia de talentos da Mercer no Brasil.
Foco
no futuro
Na
pesquisa, um em cada três funcionários diz que prefere trabalhar
com empregador que mostre responsabilidade com todos, não apenas
acionistas e investidores. E 68% dos executivos querem se concentrar
mais nas metas ambientais, sociais e de governança (ESG).
Cada
vez mais, as pessoas estão atentas para o preparo e
responsabilidade das empresas com o futuro. As duas questões foram
decisiva para destacar positivamente empresas que puderam ter
respostas rápidas diante da ameça da covid-19.
Corrida
para requalificação
Mesmo
que 99% das empresas tenham reconhecido que é preciso investir na
requalificação, muitas relatam lacunas no conhecimento em suas
equipes — e sem planos para educar os funcionários. No começo da
quarentena, cursos e treinamentos para aprender sobre recursos
tecnológicos e comportamentos digitais, como gestão de equipes
remotas e comunicação virtual, vivaram prioridade.
A
vida mais virtual, com educação à distância, vai acelerar a
disponibilidade de iniciativas para requalificação. No estudo, 55%
disseram confiar que sua organização possa requalificá-los se seu
trabalho mudar como resultado da automação.
Mais
ciência
O
distanciamento do escritório criou a demanda por dados para
identificar problemas e solucioná-los rapidamente. O estudo mostrou
que apenas 43% das organizações usam métricas para identificar
funcionários com probabilidade de deixar a companhia e apenas 18%
conhecem o impacto das estratégias de remuneração no desempenho.
Com
o aumento do uso de inteligência artificial na área de pessoas, as
decisões podem se basear menos na intuição e mais em dados
concretos.
Experiência
e engajamento
A
pesquisa mostra que a experiência do funcionário é a principal
prioridade do RH: 58% das organizações estão passando por mudanças
para se tornarem mais centradas nas pessoas. Porém, apenas 27% dos
altos executivos acreditam que a experiência dos funcionários trará
algum retorno ao negócio.
A
especialista da Mercer comenta que funcionários de empresas que
focam em saúde e bem-estar têm quatro vezes mais chance de serem
motivadas com o trabalho. Com o trabalho remoto, a atenção de
volta às formas como as organizações podem garantir a
produtividade dos colaboradores e a tendência se torna mais
crucial.
Vencendo
na empatia
No
início de março, a Amaro, empresa de moda e tecnologia, liberou
toda a sua equipe para o trabalho em casa. Eles já faziam um dia de
home office por semana, mas sabiam que o desafio agora seria outro.
“A
primeira semana foi de adaptação para lidar com a nova realidade.
Nossas condições eram mais favoráveis, mas nenhum dos times
estava 100% pronto”, conta Isadora Gabriel, diretora de RH da
AMARO.
Para
entender como estavam os funcionários, eles começaram a rodar
pesquisas para entender o clima e como o RH poderia ajudá-los. “Já
usamos muito dados e sabemos que podemos usá-los no RH para
entender as necessidades”, conta ela.
A
primeira descoberta foi que 76% dos funcionários sentiam que
estavam mais produtivos. Eles estavam dando conta da rotina e
estavam mais focados.
No
entanto, a infraestrutura deixava a desejar. Muitos sentiam falta de
itens essenciais, como uma segunda tela para o computador ou o
headset. Assim, os dados coletados viraram uma ação ágil: mais de
255 itens de escritório foram enviados para a casa dos
colaboradores.
Na
sequência, eles pretendem fazer novas pesquisas para avaliar outros
aspectos do trabalho em casa na pandemia, com as condições de
estrutura familiar e atualizações sobre o bem-estar emocional.
A
rotina foi totalmente adaptada para o virtual, incluindo treinamento
e a integração de novos contratados. A diretora comenta que as
iniciativas devem se adaptar para os diferentes públicos da
empresa, como a disponibilização de uma plataforma de saúde
emocional, a Zen Club, para todos ou o happy hour virtual com aulas
de drinks para fazer em casa.
“As
pessoas vão aderir ao que veem mais valor, por isso diversificamos
os temas das ações. Quem está sozinho ou quem está com a família
tem preocupações diferentes. Hoje, eu diria que temos um
engajamento alto, de 60%”, fala ela.
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