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Anticorpos
neutralizantes, como são chamados, serão selecionados de células
de defesa do plasma de pessoas que se curaram da COVID-19

Por André
Julião, da Agência FAPESP
Um
grupo de pesquisadores do Instituto Butantan trabalha no
desenvolvimento de um produto composto por anticorpos para combater
o novo coronavírus (SARS-CoV-2).
Os anticorpos monoclonais neutralizantes, como são chamados, serão
selecionados de células de defesa (células B) do sangue de pessoas
que se curaram da COVID-19.
A
ideia é encontrar uma ou mais dessas proteínas com a capacidade de
se ligar ao vírus com eficiência e neutralizá-lo. As moléculas
mais promissoras poderão, então, ser produzidas em larga escala e
usadas no tratamento da doença.
Coordenado
pela pesquisadora Ana Maria Moro e apoiado pela FAPESP, o projeto
utiliza uma plataforma criada para o desenvolvimento de anticorpos
monoclonais (mAbs) humanos para diferentes doenças, que está em
fase avançada para obtenção de anticorpos monoclonais para o
tratamento de zika e tétano.
“Começamos
a desenvolver essa plataforma em 2012 com os mAbs humanos antitetânicos,
com apoio da FAPESP,
e identificamos uma composição de três anticorpos que neutralizam
a toxina do tétano. Depois, estabelecemos um acordo com a
Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, sob coordenação de
Michel Nussenzweig, para gerar linhagens celulares para mAbs
antizika, que foram identificados no seu laboratório durante a
epidemia da doença, em 2015.
São
dois mAbs neutralizantes que poderão ser usados na proteção de
gestantes em caso de retorno da circulação desse vírus. É um
processo longo, mas já estamos começando o trabalho com o novo
coronavírus”, disse Moro à Agência FAPESP.
O
trabalho segue um princípio parecido com o da transferência
passiva de imunidade – técnica que consiste na transfusão de
plasma sanguíneo de pessoas curadas da COVID-19, que também está
sendo desenvolvida no Brasil.
O
plasma – parte líquida do sangue – de pessoas que se curaram da
COVID-19 é naturalmente rico em anticorpos contra a doença. Ao
entrar na corrente sanguínea de uma pessoa doente, essas proteínas
começam imediatamente a combater o novo coronavírus.
No
entanto, ainda não se sabe exatamente quais anticorpos estão
combatendo o microrganismo. Além disso, diferentes doadores podem
ter quantidades maiores ou menores dos chamados anticorpos
neutralizantes, que não só reconhecem como eliminam o vírus. A técnica
de transferência passiva de imunidade depende ainda de constantes
doações de plasma para manter os estoques.
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