|
Vários governos têm
planejado medidas gradativas de suspensão do confinamento, mas
ainda advertem os cidadãos que não devem abaixar a guarda
 |
|
Crianças correm nas
ruas de Barcelona; Depois de seis semanas, Espanha autorizou que
elas pudessem passear e brincar nas ruas
|
|

A
Europa vislumbrou uma luz de esperança neste domingo 26, quando vários
países registraram números de mortos mais baixos em várias
semanas pela pandemia do novo coronavírus, que já provocou mais de
200 mil mortes e três milhões de pessoas infectadas no mundo.
Parecendo
pressentir estes dados positivos, vários países começaram a
abrandar as medidas de confinamento às quais está submetida metade
da população mundial, como a Espanha, que a partir deste domingo
liberou as crianças – trancadas em casa há seis semanas – a
passear e brincar nas ruas.
Nas últimas 24 horas, a
França registrou 242 novos óbitos, elevando o total a mais de
22.800; a Itália teve 260 (mais de 26.600); o Reino Unido, 413
(mais de 20.700), e a Espanha, 288, fazendo o total se aproximar dos
23.200.
A tendência para baixo há
vários dias levou vários governos a planejar medidas gradativas de
suspensão do confinamento, mas advertindo os cidadãos que não
devem abaixar a guarda. “As crianças se levantaram
perguntando quando íamos descer na rua”, contou Miguel López,
morador de Madri e pai de dois meninos, de seis e três anos.
Os menores têm que estar
acompanhados de um adulto, não podem brincar com vizinhos, nem se
afastar a mais de um quilômetro de casa, tudo isso por no máximo
uma hora. Os parques, no entanto, continuam fechados.
“Dois metros de distância
[entre crianças e terceiros] no centro de Madri é impossível. Saímos
cedo para não encontrar outras crianças”, explicou uma bibliotecária
que não quis se identificar, mãe de um menino de cinco anos e de
uma menina de oito. A família mora em um apartamento sem varanda no
bairro La Latina.
Dúvidas
sobre imunidade
A suspensão do
confinamento é um quebra-cabeça para as autoridades, à espera de
uma vacina ou um remédio que, segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), é o único que permitirá conter a pandemia.
A Espanha estendeu a
quarentena até 9 de maio. O chefe de governo, Pedro Sánchez,
apresentará na terça-feira um plano para abrandar as medidas a
partir de maio, mas se os contágios continuarem caindo, a partir do
dia 2 será permitido aos adultos passear ou fazer exercícios,
assim como ocorre em outros países europeus. Na França, seu
colega, Edouard Philippe, revelará no mesmo dia sua “estratégia
nacional do plano de ‘desconfinamento'”, que deve começar em 11
de maio, com a polêmica reabertura das escolas principalmente.
Em Londres, o
primeiro-ministro Boris Johnson, que esteve hospitalizado por causa
do coronavírus, retornou neste domingo à sua residência oficial,
em Downing Street, em Londres, e retomará suas atividades na
segunda-feira. Os britânicos aguardam o início de seus planos para
relançar a economia e sair do confinamento.
A Argentina, por sua vez,
que registrou 185 mortos pela epidemia, anunciou
no sábado uma flexibilização da quarentena para cidades com menos
de 500 mil habitantes e a possibilidade de sair uma hora
por dia para todas as pessoas. E no Equador, o segundo país
mais afetado pela pandemia na América Latina, com 22.719 casos e
576 mortos, o presidente Lenín Moreno alertou no sábado que a
emergência sanitária “não terminou”. O Brasil, o país mais
afetado pela covid-19 na região, registrou
até as 16h deste domingo 61.888 casos e 4.205 mortes.
Com vistas à suspensão
do confinamento, alguns países empreendem campanhas de testes sorológicos,
como a Itália, que começará em 4 de maio a realizar testes em 150
mil pessoas para tentar saber mais sobre a pandemia.
No entanto, a OMS lembrou
que “não
há nenhuma prova neste momento de que as pessoas que se curaram da
covid-19 e que têm os anticorpos (para a doença) estejam
imunizadas frente a uma segunda infecção“. O organismo
advertiu, ainda, para a ameaça de uma segunda onda mortal da
pandemia. No Canadá, o primeiro-ministro Justin Trudeau pediu
“prudência” e assegurou que não conta com uma hipotética
imunidade coletiva.
|