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Medicamento foi autorizado pelo FDA para tratamento de casos
graves e internados e não será vendido em farmácias. Fabricante
doará 1 milhão de doses

Remdesivir tratará pacientes em estado grave. Medicamento mostrou
resultado em estudo, mas fabricante adverte que segurança e eficácia
do tratamento não foram comprovadas.
Anvisa diz que vai se reunir
com a farmacêutica.O governo dos Estados Unidos autorizou o uso do
medicamento antiviral Remdesivir para tratar pacientes com covid-19
em estado grave, embora a própria fabricante do remédio, a Gilead
Sciences, reconheça que ainda não foram comprovadas segurança e
eficácia do tratamento.
O presidente americano,
Donald Trump, anunciou que a droga recebeu uma "liberação de
emergência" da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA
(FDA, na sigla em inglês), agência governamental que aprova o uso
de produtos de saúde pública.
"É realmente uma
situação muito promissora", disse Trump na Casa Branca nesta
sexta-feira (01/05), ao lado do CEO da Gilead, Daniel O'Day, e do
chefe da FDA, Stephen Hahn.
"[A aprovação]
aconteceu na velocidade da luz", disse Hahn, chamando o
medicamento de um "importante avanço clínico". "É
a primeira terapia autorizada para covid-19, então estamos muito
orgulhosos de fazer parte disso." O'Day também se disse
satisfeito com a liberação do remédio e anunciou que a Gilead
doará 1 milhão de doses.
O presidente americano
explicou que o fármaco só será usado para tratar pacientes
internados em estado grave, como aqueles com problemas respiratórios
que necessitam de oxigênio suplementar e de ventiladores, por
exemplo.
Durante a semana, Trump já
havia manifestado o desejo de que a FDA, que em teoria é uma agência
independente, acelerasse o processo de aprovação do remédio,
administrado por via intravenosa.
Em comunicado, a FDA
admitiu que há informações limitadas sobre segurança e eficácia
do Remdesivir no tratamento do vírus Sars-cov-2, mas disse que
embasou a liberação em um estudo clínico recente que mostrou que
o medicamento encurta o tempo de recuperação em alguns pacientes.
A pesquisa, realizada nos
Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, mostrou que 1.063
pacientes internados com covid-19 que receberam Remdesivir tiveram
uma recuperação 31% mais rápida, de 11 dias em média, do que
aqueles que receberam placebo, recuperados em 15 dias.
Também em nota, a Gilead
foi cautelosa e disse que a eficácia do Remdesivir ainda está
sendo pesquisada. Além disso, a empresa com sede no estado da Califórnia
observou que a dose e a duração do tratamento ainda são
desconhecidas. Por enquanto, sob autorização da FDA, o remédio
será administrado por cinco ou dez dias, dependendo do estado de saúde
do paciente.
A farmacêutica disse
ainda que será dada prioridade às regiões mais afetadas. Por
isso, espera-se que o medicamento chegue em breve ao estado de Nova
York, epicentro da pandemia nos Estados Unidos, que já soma 313 mil
casos confirmados e mais de 23 mil mortes.
O vice-presidente
americano, Mike Pence, anunciou que 1,5 milhão de frascos do remédio
começarão a ser distribuídos aos hospitais do país na
segunda-feira.
Anvisa em contato com a
Gilead
Após a aprovação da
droga nos Estados Unidos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) informou que vai se reunir nos próximos dias com a Gilead
para "verificar o interesse e a viabilidade do
fornecimento" do Remdesivir no Brasil.
"A Anvisa está em
contato com a Gilead, empresa que fabrica o Remdesivir no exterior,
a fim de acompanhar a evolução dos estudos do medicamento para o
tratamento da covid-19", disse a agência em comunicado.
"A Gilead tem vários
ensaios clínicos em andamento para o Remdesivir, com dados iniciais
esperados nas próximas semanas. Caso o benefício do medicamento se
comprove, a Anvisa possui mecanismos, como anuência de uso em
programa assistencial e priorização de registro, para garantir o
acesso célere do medicamento à população", completou.
O Ministério da Saúde
informou, também em nota, que a Fiocruz participa de uma pesquisa
comandada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para testar a
segurança e eficácia de uma série de medicamentos contra a covid-19,
e o Remdesivir é um deles.
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