|
No
Reino Unido, o confinamento foi prorrogado de 23 de março para 1º
de junho. Saiba como o processo acontece em outros países
Dezenas
de milhões de pessoas na Espanha e na França recuperaram
parcialmente a liberdade de circulação nesta segunda-feira (11),
com o relaxamento de inúmeras restrições impostas no combate à
pandemia de coronavírus. A volta gradativa à normalidade acontece
enquanto o reaparecimento de casos na Coreia do Sul e na China
renova o medo de uma segunda onda epidêmica.
"Isso
me fez muita falta", disse Jesús Vázquez, um operário de 51
anos que pediu um sanduíche e uma cerveja em um bar em Tarragona,
na Catalunha (nordeste), no primeiro dia de desconfinamento na
Espanha.
Para
limitar o risco de propagação, a medida se aplica a apenas parte
do país a partir desta segunda.
São
permitidas reuniões em grupos de até dez pessoas, permanecer nas
áreas abertas de bares e restaurantes com capacidade limitada, ou
ir a lojas sem necessidade de marcar horário. Várias grandes
cidades, como Madri e Barcelona, permanecerão sob restrições.
Um
dos países mais afetados, com mais de 26.000 óbitos, a Espanha viu
o número de mortes diárias cair abaixo de 150 no domingo, o balanço
mais baixo desde 18 de março.
A
Liga Espanhola de Futebol registrou oito casos positivos de coronavírus
no domingo, mas seu presidente Javier Tebas espera retomar o
campeonato em 12 de junho.
À
medida que o futebol europeu retorna, após vários meses de
interrupção forçada, testes de triagem revelam casos em
diferentes campeonatos.
FRANÇA
Na
França, o confinamento sem precedentes em vigor desde 17 de março
parece ter valido a pena: o número diário de mortos caiu para 70
na noite de domingo, o menor desde aquela data.
Igualmente
com mais de 26.000 mortos, as autoridades pediram cautela, agora que
milhões de franceses podem sair de casa e voltar ao trabalho para
reviver uma economia nacional que está quase parada há dois meses.
Esta
manhã, o metrô de Paris estava quase tão cheio quanto antes do
confinamento.
"Será
impossível", disse Brigitte, usuária da linha dois que
atravessa o centro da capital.
"Graças
a vocês, o vírus regrediu. Mas ainda está aqui. SALVEM VIDAS,
CONTINUEM SENDO PRUDENTES", tuitou o presidente Emmanuel Macron.
Desde
seu aparecimento na China, em dezembro de 2019, a doença causou
mais de 280.000 mortes em todo mundo, de acordo com o balanço mais
recente estabelecido pela AFP com base em fontes oficiais.
E
o risco de uma segunda onda, mencionado pela Organização Mundial
da Saúde (OMS), preocupa os governos.
O
levantamento do confinamento na França implica medidas estritas: máscaras
obrigatórias no transporte público e condições restritivas nas
escolas. O surgimento de três novos focos de contágio no oeste do
país reforça o medo de uma nova onda.
REINO
UNIDO
No
Reino Unido, no entanto, com quase 32.000 mortes, o pior saldo
depois dos Estados Unidos, a situação continua preocupante. O
primeiro-ministro Boris Johnson anunciou no domingo que o
confinamento decretado em 23 de março irá até 1º de junho.
Johnson
apresentou um plano gradual, com a esperança de uma reabertura
progressiva das lojas e das escolas primárias no início de junho.
Além
disso, o governo britânico planeja estabelecer um período obrigatório
de quarentena para os viajantes que chegam ao país por via aérea.
ÁSIA
O
medo de uma segunda onda foi alimentado nesta segunda-feira, depois
que a China notificou cinco novos casos de coronavírus em Wuhan,
foco da pandemia de Covid-19.
Em
Xangai, o parque de diversões da Disneylândia reabriu nesta
segunda-feira, mas com restrições.
"Mesmo
que muitas atrações ainda estejam fechadas, estamos muito
impacientes", disse à AFP uma visitante acompanhada por uma
menina de cinco anos. "Estamos trancadas há dois meses, foi um
tédio mortal", completou.
A
Coreia do Sul, onde a epidemia também havia sido controlada,
registrou 35 novos casos nesta segunda-feira, o número mais alto em
mais de um mês, devido ao aparecimento de um foco de contágio em
um bairro de vida noturna em Seul.
ALEMANHA
Na
Alemanha, citada como exemplo de eficácia no gerenciamento da
crise, mais de 50 novas infecções por 100.000 habitantes foram
registradas em três cantões.
Nos
Estados Unidos, o país mais afetado do mundo com quase 80.000
mortes, os assessores econômicos do presidente Donald Trump
defenderam no domingo a possibilidade de relançar a economia com
segurança, apesar da epidemia e até de contágios na própria Casa
Branca.
Nos
últimos dias, dois funcionários da ala oeste, onde está
localizado o Salão Oval - um militar que trabalha para o presidente
e a porta-voz do vice-presidente Mike Pence - testaram positivo para
o vírus.
A
Casa Branca negou, no entanto, que Pence esteja em quarentena.
A
América Latina e o Caribe são uma das regiões mais afetadas pela
pandemia. A COVID-19 matou mais de 20.000 pessoas na zona, de acordo
com o balanço da AFP.
Com
10.627 mortes contabilizadas, o Brasil agrupa mais da metade das
mortes e é o país mais afetado. O México registrou 3.353 mortes,
e o Equador, 2.127.
Bairros
pobres e prisões lotadas são dois dos lugares em diferentes países
da região onde a propagação do vírus é mais temida. No Peru,
com o pedido de "ajuda", um grupo de detentas em uma prisão
feminina em Lima realiza um protesto depois que uma prisioneira deu
positivo para coronavírus, informou a polícia.
Na
Guatemala, o presidente Alejandro Giammattei reforçou as medidas
restritivas no domingo, ao proibir novamente a circulação entre
diferentes regiões e estender o toque de recolher parcial.
No
restante do mundo, os olhos agora estão voltados para a África, Rússia
e Índia.
A
África do Sul, o país mais afetado da África Subsaariana,
ultrapassou 10.000 casos confirmados, com 194 mortes, segundo o
Ministério da Saúde.
Na
Rússia, onde há mais de 10.000 casos por dia, a convocação de
estudantes de medicina para combater o coronavírus cria controvérsia.
"Quem
não for atender não receberá seu certificado e corre o risco de
ser excluído", disse Svetlana, uma estudante do sexto ano em
Moscou.
A
Índia iniciou o processo de desconfinamento, mas continua a proibir
viagens entre estados, bem como voos domésticos e internacionais.
No domingo, contabilizava quase 63.000 casos e mais de 2.100 mortes.
De acordo com epidemiologistas, a doença vai acelerar para um pico
em junho, ou julho naquele país.
|