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Pesquisadores esperam que as transfusões de plasma ricos em
anticorpos de pessoas recuperadas da covid-19 possam ajudar a
neutralizar o coronavírus em pacientes doentes
Um
estudo com milhares de pacientes que receberam transfusão de plasma
de pessoas que se recuperaram da covid-19 indica que a terapia
experimental aparentemente é seguro, abrindo caminho para estudos
futuros e testes clínicos.
Uma
equipe de pesquisadores da Mayo Clinic, Universidade do Estado de
Michigan e da Universidade Johns Hopkins examinou os resultados de
exames de 5.000 pacientes hospitalizados nos EUA, que receberam como
tratamento o plasma de pacientes recuperados da covid-19, e
descobriu que as transfusões resultaram em poucos efeitos
colaterais sérios e a inexistência de uma taxa de mortalidade
excessiva.
O
estudo, publicado nesta quinta-feira num servidor público chamado
de Medrxiv, não passou por revisão de outros pesquisadores ou
publicado numa revista científica
Pesquisadores
descobriram que menos de 1% dos pacientes tratados apresentaram
efeitos colaterais sérios e que a taxa de mortalidade sete dias após
a transfusão foi de 14,9%.
“A
taxa de mortalidade não parece excessiva”, concluíram os
pesquisadores, considerando a natureza letal do novo coronavírus e
o fato de que dois terços dos pacientes no estudo estavam
criticamente doentes em unidades de terapia intensiva quando
receberam a transfusão. Os pacientes receberam o plasma de
recuperados da doença como parte de um programa de acesso expandido
ou “uso humanitário” da Food and Drug Administration (FDA), agência
federal do Departamento de Saúde dos EUA.
Os
pesquisadores esperam que as transfusões de plasma ricos em
anticorpos de pessoas recuperadas da covid-19 possam ajudar a
neutralizar o coronavírus em pacientes doentes. Mas eles alertaram
que não é possível determinar a partir deste estudo se o plasma
foi a causa da melhora na saúde dos pacientes, uma vez que todos
eles receberam o tratamento.
Testes
clínicos sobre a eficácia de um tratamento envolvem a comparação
com um grupo similar de pacientes que não tenha recebido o
tratamento experimento.
Os
dados de segurança do tratamento, baixa mortalidade e efeitos
colaterais, provavelmente vão impulsionar os esforços para que
sejam conduzidos mais testes clínicos controlados para investigar
se o plasma de pacientes recuperados é um tratamento eficaz para a
covid-19, disseram os pesquisadores.
Os
achados do estudo também podem dar tranquilidade aos médicos que
queiram aplicar o tratamento experimental a pacientes como uma
medida paliativa até que uma vacina ou mais terapias direcionadas
sejam desenvolvidas.
“Os
dados são tranquilizadores”, disse Arturo Casadevall, da
Universidade Johns Hopkins, um dos autores do estudo. “Agora,
podemos focar em descobrir se o tratamento é eficaz.”
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