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Levantamento do Morgan
Stanley identificou imunizantes mais avançados nos testes clínicos
e os que a produção pode atender à demanda global
A
indefinição em torno do isolamento social em diferentes
países e o temor por novas ondas da Covid-19 em nações
que já superaram o pico da doença lançam grandes
expectativas em torno de uma vacina capaz de imunizar
populações inteiras contra o coronavírus Sars-CoV-2.
A
indefinição em torno do isolamento social em diferentes
países e o temor por novas ondas da Covid-19 em nações
que já superaram o pico da doença lançam grandes
expectativas em torno de uma vacina capaz de imunizar
populações inteiras contra o coronavírus Sars-CoV-2.
Um
levantamento do banco de investimentos Morgan Stanley mapeou
110 pesquisas em busca de uma fórmula imunizante e
identificou seis vacinas promissoras em curso.
Um
imunizante seria a única forma de garantir o retorno seguro às
atividades rotineiras, uma vez que nem mesmo o tempo de duração da
imunização de pacientes curados é consenso na comunidade científica.
Especialistas
ponderam que o prazo para uma vacina eficaz chegar às prateleiras
deve ser de um ano, enquanto, normalmente, levariam uma década.
Governos como o dos Estados Unidos, por outro lado, têm prometido
acelerar ainda mais esse processo, sem apresentar, no entanto,
garantias de que isso ocorrerá.
O
relatório do Morgan Stanley avaliou como promissoras vacinas candidatas
com os prazos mais adiantados e cujas empresas têm mais capacidade
de ampliar a escala de produção para além de 500 milhões de
doses.
Na
lista de seis fórmulas constam desde trabalhos com tecnologia mRNA
quanto vetores de vírus , como o adenovírus :
CanSino
Biologics 1
Batizada de Ad5-nCoV, a
vacina usa o mesmo vetor de uma fórmula aprovada para combater o
ebola: um adenovírus, considerado um parente inofensivo do vírus
do resfriado comum, com o objetivo de fornecer antígenos que
estimulam as respostas imunes do organismo.
A Ad5-nCoV se encontra na
segunda fase de testes clínicos desde o mês passado, e foi testada
em 500 pacientes até o fim de abril. Segundo o relatório, é
esperado que a terceira fase comece no próximo inverno incluindo
outros países além da China. A companhia tem capacidade de
produzir milhões de doses e pretende expandir para 100 milhões em
2021.
Oxford/Vaccitech
A vacina candidata,
ChAdOx1 nCoV-19, usa um adenovírus de chimpanzé conhecido como
ChAdOx1. Ainda está na primeira fase de testes, na qual contemplou
1.102 voluntários entre 18 e 55 anos.
A segunda e a terceira
fases, que contemplarão pessoas entre 55 e 70 anos e menores de 18,
respectivamente, deverão começar em junho e testarão 5.000
pessoas.
A produção em larga
escala começou e a expectativa é que 100 milhões doses sejam
produzidas até o fim de 2020. Até o ano que vem, espera-se que
haja centenas de milhões disponíveis.
BioNTech/Pfizer
A vacina testada apelas
duas empresas, chamada BNT162, é formada a partir da combinação
de três formatos de mRNA (ou seja, a inoculação do RNA
mensageiro) e dois antígenos.
As duas empresas já
tinham uma parceria para a produção de vacinas contra a influenza,
firmada em 2018. Os testes clínicos estão em andamento e a
expectativa é que centenas de milhões de doses estejam disponíveis
no mercado em 2021.
Moderna/NIH
A vacina candidata mRNA-1273
ganhou os holofotes globais na última segunda-feira depois que a
Moderna anunciou êxito na imunização de um grupo pequeno de
pacientes.
Assim como a fórmula
imunizante da BioNTech e da Pfizer, a aposta da companhia americana
é a técnica do RNA mensageiro. Os trabalhos são formalmente
apoiados pelo National Institutes of Health (NIH), órgão do
governo dos Estados Unidos.
Após estudos que
apontaram para a segurança da pesquisa, a primeira fase foi
estendida para a inclusão de três grupos de adultos entre 55 e 71
anos e outros três de idosos acima dessa faixa de idade, que compõem
o chamado grupo de risco.
A segunda etapa
contemplará 600 voluntários e foi aprovada pela Food and Drug
Administration, agência americana equivalente à Anvisa no Brasil.
O planejamento da terceira fase está em fase final e o trabalho prático
deve começar a partir de junho.
A Moderna afirma ser
capaz de produzir milhões de doses e, recentemente, selou um acordo
com a farmacêutica Lonza para ampliar a produção. Até o fim do
ano, a pretensão é ampliar a escala em 10 milhões a cada mês até
chegar a uma taxa de 1 bilhão de doses por ano na metade de 2021.
Johnson
& Johnson
Outra vacina candidata
baseada na técnica de adenovírus, a Ad26 Sars-CoV-2 começará os
testes clínicos em setembro. A Johnson & Johnson pretende
produzir entre 600 milhões e 900 milhões no primeiro trimestre de
2021 e 1 bilhão até o fim do próximo ano.
Sanofi/GSK
Ainda sem nome, a fórmula
pesquisada pelas duas companhias pretende misturar as técnicas de
recombinação (uso do vírus inativo) de baculovírus usada na
produção da Flublok, uma vacina contra gripe da Sanofi, com a
tecnologia de sistemas adjuvantes (substâncias adicionadas a
vacinas para aumentar a resposta imune) presente na vacina Shingrix,
contra herpes-zóster, da GSK.
Os primeiros testes em
humanos devem ocorrer no último trimestre deste ano. A capacidade
de produção, segundo as empresas, deverá ser de 1 bilhão de
doses por ano até o fim da primeira metade de 2021.
Sanofi/Translate
Bio
Outro imunizante
candidato da Sanofi é desenvolvido em parceria com a Translate Bio.
Também sem nome definido até o momento, a potencial vacina usa o
modelo de mRNA e parte de esforços que já existiam entre as duas
companhias desde um acordo firmado em 20198 para o combate de cinco
doenças infecciosas.
Os primeiros testes clínicos
em humanos começarão no último trimestre de 2020. A capacidade de
produção, por sua vez, pode chegar a 360 milhões de doses até o
fim do primeiro semestre de 2021.
Shionogi
A japonesa Shionogi também
trabalha a partir da técnica de recombinação de baculovírus.
Ainda sem nome, a fórmula deve ter seus primeiros testes até o fim
do semestre.
O plano da companhia nipônica
é concluir os ensaios até o fim do ano para obter a pré-aprovação
do governo japonês para a aplicação limitada do imunizante entre
janeiro e março de 2021, para, então, liberar a vacina em escala
nacional até junho. A Shionogi afirma que sua prioridade
é atender o Japão.
A
farmacêutica espera disponibilizar 10 milhões de doses, que
atenderiam cerca de 8% da população japonesa , e busca
parcerias no exterior. A tecnologia de recombinação é da Protein
Science, que pertence à Sanofi, mas recebeu adaptações da empresa
japonesa para atender às regulações do Japão.
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