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Objetivo é avaliar eficácia para o tratamento de pacientes
hospitalizados por causa da doença; resultados devem sair até o
começo de outubro
Um estudo com o medicamento baricitinibe, conhecido como Olumiant
e usado no tratamento de pessoas com artrite reumatoide moderada ou
grave, avançou para a última fase de testes em pacientes
internados por causa da covid-19.
O
remédio já foi aprovado nas fases 1 e 2, que avaliam as doses e a
segurança de sua utilização em humanos. Agora, o objetivo é
avaliar sua eficácia para o tratamento de pacientes hospitalizados
por causa da doença. Essa é a última etapa antes da possível
aprovação para o uso da droga com o objetivo de tratar a covid-19.
A
expectativa é aplicá-lo em pacientes nos Estados Unidos, América
Latina e Europa. No Brasil, serão 100 participantes - 30 deles
internados no Hospital Santa Paula, em São Paulo.
"São
pacientes com idade acima de 18 anos e que tenham algum acometimento
pulmonar moderado, como pneumonia, e sem precisar de ventilação
mecânica", explica Cristhieni Rodrigues, médica
infectologista, doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo e coordenadora do Serviço de
Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital Santa Paula.
De
acordo com ela, dois pacientes já foram incluídos nos testes e um
terceiro já está em avaliação. Os voluntários receberão 4 mg
do medicamento ou placebo por 14 dias consecutivos ou até receberem
alta do hospital. Todos serão monitorados por um período de 28
dias.
"Vamos
avaliar a eficácia do medicamento na evolução dos sintomas clínicos,
o tempo de internação, a necessidade de ventilação mecânica",
detalha a coordenadora do estudo.
A
expectativa é que o baricitinibe, que pertence à classe dos
imunobiológicos, consiga controlar a inflamação exacerbada
observada em pacientes que desenvolvem complicações mais graves
por causa da covid-19. Esse processo inflamatório é consequência
da reação exagerada do próprio sistema imune na tentativa de
combater a infecção pelo novo coronavírus.
"A
própria imunidade começa a agredir órgãos-alvos como pulmão,
rim e coração e o organismo não consegue diminuir esse fenômeno
por si só. Foi observado que o medicamento inibe o sinalizador que
teria o potencial de desencadear essa cascata de inflamação",
explica Rodrigues.
Ela
acrescenta que o estudo é duplo cego, ou seja, pacientes e voluntários
não saberão quem recebeu o baricitinibe ou o placebo. "Isso
impede que haja qualquer viés durante a condução dos testes, que
o paciente pense que melhorou porque está tomando algo",
destaca.
A
especialista afirma que os resultados desta fase da pesquisa ser
obtidos entre setembro e outubro.

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