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Média móvel de mortes está em queda há duas semanas, enquanto a
de casos se mostra instável; especialista aponta estabilidade frágil
O
Brasil apresenta queda na média móvel de mortes por covid-19 há
duas semanas, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo
Ministério da Saúde. Na semana epidemiológica 35 (de 23 a 29 de
agosto) a queda foi de 12% em relação a semana anterior: passou de
1003 para 887. Já na semana 36 (de 30 de agosto a 5 de setembro) a
média caiu 8,2% - de 887 para 820.
Por
outro lado. a média móvel de casos se mostrou instável nesse
mesmo período: diminuiu 1% na semana 35 (de 37.895 para 37.684) e
aumentou 4,7% na semana 36 (37.684 para 39.550).
A
queda no número de mortes vem após o Brasil passar três meses em
uma estabilidade - chamada platô - com média de 1000 óbitos por
dia, lembra o infectologista Carlos Fortaleza, professor do
Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da
Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com ele, os dados
indcam uma melhora no cenário atual da pandemia, mas ela é frágil
e pode mudar a qualquer momento.
"Nós
[especialistas] achamos que a situação está de fato progredindo.
Mas essa melhora está muito lenta, ao contrário do que foi visto
em outros países ou mesmo Estados, como Pará e a cidade de
Manaus", analisa. "Temos que entender que é uma
estabilidade com lenta tendência à queda", resume
De
acordo com ele, se essa linha reta que representa a estabilidade for
analisada com uma lupa, será possível perceber que ela, na
verdade, é composta por descidas e subidas que se alternam em
diferentes momentos e regiões.
A
Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) faz essa mesma avaliação em seu
boletim epidemiológico das semanas 35 e 36, divulgado no último sábado
(12).
"O
país apresenta uma ligeira tendência de queda no número de óbitos,
mas a manutenção em patamares ainda altos do número de casos
notificados. Esse padrão tem sido extremamente variável nas UFs
[unidades da federação], que em geral apresentam estabilidade ou
queda pouco acentuada da incidência [número de novos casos em um
intervalo de tempo]", aponta a instituição.
"Não
podemos tirar [dessa situação] nenhum discurso triunfalista, do
tipo 'já vencemos a covid-19', É possível que diante de
descuidos, como no feriado de 7 de setembro tenha alguns aumentos
[de casos]", destaca Fortaleza.
O
especialista acrescenta que, no contexto do Brasil, esse aumento no
número de pessoas infectadas não indicaria uma segunda onda, pois
sequer foi alcançado o controle da primeira onda de contágios.
"Seria uma mudança na curva, uma subida", descreve.
Ele
afirma que a situação de estabilidade com tendência à queda está
amparada em dois pilares: imunidade coletiva - ou de rebanho - e adoção
de medidas de prevenção para frear a disseminação do novo
coronavírus por parte da população, mas este alicerce é muito
instável.
"Se
sustenta com parte das pessoas se cuidando, ou seja, adotando o
distanciamento social, medidas de higiene, evitando aglomerações e
a outra parte, que está muito exposta ao vírus, porque precisa
trabalhar, imune", compara.
"Qualquer
mudança [no comportamento das pessoas] pode gerar um aumento
novo", enfatiza.
Fortaleza
também ressalta que esse "equilíbrio instável" pelo
qual o Brasil está passando pode ser observado pela variação na
taxa de transmissão do coronavírus, que indica quantas pessoas
podem ser infectadas por alguém que está com o vírus.
Na
pimeira semana deste mês a taxa caiu de 1 para 0,94, o que mostra
uma desaceleração na velocidade com que o vírus estava se
espalhando. Entretanto, na semana seguinte, voltou a subir para 1.
"Essa
dança ao redor do um é que é frustrante. Tem dias que a pessoa
está transmitindo para mais que um e depois para menos. Por isso
que [a curva de contágio] pode cair e subir abruptamente",
avalia.
O
infectologista pondera que o comportamento da pandemia no Brasil está
diretamente relacionado ao modo como as medidas de restrição para
conter o avanço do novo coronavírus foram implantadas. Da
mesma maneira, o afrouxamento dessas regras vai determinar qual será
o panorama no futuro.
"Se
a flexibilização foi feita em cada lugar de maneira diferente, foi
porque não houve uma coordenação do Ministério da Saúde e os
Estados se viraram como puderam", conclui lembrando que a
atribuição aos estados e municípios destas ações foi
determinada pelo STF.

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