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Até o começo deste mês, foram notificadas ao Ministério da Saúde
21 mortes causadas por essa síndrome rara, 57% delas estão nessa
faixa etária
A síndrome
inflamatória multissistêmica pediátrica, que está
temporariamente associada à covid-19, é mais letal em crianças de
até 4 anos de idade, de acordo com dados do Ministério da Saúde,
que faz o monitoramento desde o dia 24 de julho.
O
boletim epidemiológico mais recente reúne informações até o dia
5 de setembro, período em que foram notificados 286 casos e 21
mortes de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos.
Mais
da metade dos casos (56%) são de meninos. A faixa etária de até 9
anos concentra 71% dos registros, enquanto 57% das mortes são de
crianças de até 4 anos.
Em
15 dias, entre 22 de agosto e 5 de setembro, foram notificados 89
casos - o que corresponde a 5,9 por dia. Nesse mesmo período, foram
registradas 7 mortes. A síndrome já está presente em 17 estados
brasileiros e no Distrito Federal.
Os
primeiros relatos sobre a síndrome multissistêmica surgiram em
abril, durante o pico da pandemia de covid-19 no continente europeu.
Houve alertas em diferentes países sobre a identificação de uma
nova apresentação clínica em crianças, possivelmente associada
com a infecção pelo novo coronavírus.
"É
uma inflamação grave em múltiplos órgãos, como coração e pulmão.
Ela lembrava a doença de Kawasaki, que é uma vasculite, ou seja,
uam inflamação nos vasos sanguíneos", explica o
pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente do
Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São
Paulo.
"O
que chama a atenção é que a maioria dos casos tinha história
recente de covid-19 e posteriormente o desenvolvimento dessa síndrome",
completa.
De
acordo com ele, os sintomas incluem febre, insufuciência respiratória,
disfunção cardíaca, dor abdominal, manchas na pele, diarreia e vômito.
O
Ministério da Saúde só inclui na definição de casos da síndrome
inflamatória pacientes hospitalizados ou que foram a óbito e
tiveram casos confirmados de covid-19 ou histórico de contato com
infectados e que atendem aos demais critérios específicos
estabelecidos pela pasta.
Kfouri
destaca que esse é um evento raro e ainda não se sabe qual sua
causa. "Devemos ficar atentos, mas não há motivo para que a
população fique alarmada", afirma.
Ele
acrescenta que a maioria das crianças infectadas com o novo coronavírus
são assintomáticas ou têm sintomas leves e representam menos de
1% das mortes causadas pela covid-19.
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