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Dados do Ministério da Saúde apontam que o País teve 4.874 óbitos
e 189.751 novos casos da doença respiratória na última semana
VACINA
CONTRA COVID NÃO TRARÁ VIDA DE VOLTA AO NORMAL IMEDIATAMENTE,
ALERTAM CIENTISTAS
Mesmo
que uma vacina fique pronta em breve, o processo de aplicação na
população levará meses. E temos outros desafios e perguntas ainda
não respondidas pela frente
Mesmo
uma vacina eficaz contra o coronavírus não
fará a vida voltar ao normal imediatamente, alertou um grupo de
cientistas importantes.
A
vacina é frequentemente vista como o Santo Graal que acabará com a
pandemia. Mas pesquisadores reunidos pela Royal Society, a academia
britânica de ciências, afirmam em um novo relatório que
precisamos ser "realistas".
Eles
dizem que as restrições impostas para conter a propagação do vírus
terão de ser "relaxadas gradualmente", já que pode levar
até um ano para que a vacina seja amplamente distribuída.
Mais
de 200 vacinas contra o coronavírus estão sendo desenvolvidas por
cientistas de todo o mundo em um processo que ocorre com uma
velocidade sem precedentes.
"Uma
vacina oferece uma grande esperança de acabar com a pandemia, mas
sabemos que a história do desenvolvimento de vacinas está repleta
de fracassos", disse Fiona Culley, do Instituto Nacional do
Coração e do Pulmão do Imperial College London.
Há
otimismo, inclusive dos consultores científicos do governo do Reino
Unido, de que algumas pessoas podem receber uma vacina este ano e a
vacinação em massa pode começar no início do próximo ano.
No
entanto, o relatório da Royal Society adverte que será um longo
processo.
"Mesmo
quando a vacina estiver disponível, não significa que dentro de um
mês todos serão vacinados. Estamos falando de seis meses, nove
meses, um ano", disse Nilay Shah, chefe de engenharia química
do Imperial College London.
"A
vida não vai voltar ao normal de repente em março."
Desafios
O
relatório apontou que ainda há desafios "enormes" pela
frente. Algumas das abordagens são experimentais, como as vacinas
de RNA, e nunca foram produzidas em massa antes.
Há
dúvidas se haverá matéria-prima suficiente para produzir tanto a
vacina quanto os frascos de vidro nos quais elas são transportadas.
Também há dúvida sobre a capacidade de refrigeração para sua
distribuição, porque algumas vacinas precisam ser armazenadas a
-80ºC.
Shah
estima que a vacinação das pessoas teria que ocorrer em um ritmo
dez vezes mais rápido do que a campanha anual contra a gripe e
seria um trabalho de tempo integral para dezenas de milhares de
funcionários devidamente treinados.
"Eu
me preocupo: estamos pensando suficientemente sobre tudo
isso?", disse ele.
Os
dados dos primeiros testes sugeriram que as vacinas estão
desencadeando uma resposta imune, mas os estudos ainda não
mostraram se isso é suficiente para oferecer proteção completa ou
diminuir os sintomas da covid-19.
"Simplesmente
não sabemos quando uma vacina eficaz estará disponível, quão
eficaz ela será e, claro, crucialmente, com que rapidez pode ser
distribuída", afimrou Charles Bangham, presidente de
imunologia do Imperial College London.
"Mesmo
se for eficaz, é improvável que possamos voltar completamente ao
normal de imediato. Teremos que relaxar gradualmente algumas das
restrições."
E
muitas questões que irão ditar a estratégia de vacinação
permanecem sem resposta, tais como:
» Uma dose será suficiente ou serão necessários reforços?
» A vacina funcionará bem o suficiente em pessoas idosas, que têm um
sistema imunológico mais fraco?
Os
pesquisadores alertam que a questão da imunidade de longo prazo
ainda levará algum tempo para ser respondida.
Comentando
sobre o relatório, Andrew Preston, da University of Bath, disse:
"Claramente, a vacina foi retratada como uma bala de prata e,
em última análise, será nossa salvação, mas pode não ser
imediata".
Ele
disse que seria necessário discutir se "passaportes de
imunidade" são necessários para garantir que as pessoas que
entram em um país estão imunizadas.
Preston
alertou ainda que a hesitação em torno de tomar a vacina parece
ser um problema crescente e entremeado por ideologias antimáscara e
anti-isolamento.
"Se
pessoas se recusarem a receber a vacina, nós as deixaremos se
defender sozinhas ou teremos uma vacinação obrigatória para as
crianças que vão às escolas ou para os funcionários em lares de
idosos? Há muitas perguntas difíceis."
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