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Na
Rússia e na República Tcheca, números de novos casos dispararam e
governo da França e Itália anunciaram novas medidas para conter 2ª
onda
A
segunda onda do coronavírus atinge
duramente vários países europeus, como a Rússia, onde é
registrado um novo recorde de infecções, enquanto a Itália
implementa medidas mais restritivas e a França se prepara para
adotar novas.
Além disso, o Conselho
da União Europeia adotou nesta terça-feira (13) uma
"recomendação" para os Estados membros basearem suas
restrições a viagens dentro da UE com base na situação
epidemiológica, que inclui um código de cores por zonas.
Alemanha
O
número de novas infecções diárias ultrapassou 4 mil casos na
Alemanha na terça-feira, em meio a um acalorado debate sobre a
proibição de viajantes de áreas de risco do país de permanecerem
temporariamente em regiões controladas.
O
Instituto Robert Koch (RKI), competente no assunto na Alemanha,
notificou hoje 4.122 novos casos de coronavírus, um aumento em relação
aos 2.467 casos de segunda-feira (12), embora essa evolução seja
considerada normal, visto que a compilação de dados desacelera em
algumas regiões no final de semana.
O
número de mortes em 24 horas foi de 13, elevando o total de mortes
por covid-19 no país desde o início da pandemia a 9.634, com um
total de 329.453 infecções, das quais 279.300 são pacientes
recuperados.
O
fator "R" de reprodução é 1,29 - ou seja, cada pessoa
infectada transmite o vírus a uma média de 1,29 pessoas.
Rússia
A
Rússia registrou um novo recorde de infecções diárias de coronavírus,
com 13.868 casos nas últimas 24 horas, além de 244 mortes, de
acordo com as autoridades de saúde do país relatadas hoje.
Apesar
do grande aumento no número de casos nas últimas semanas, o
governo russo está relutante em adotar medidas estritas em nível
nacional, como confinar a população ou paralisar certas atividades
econômicas.
Moscou,
onde escolas foram fechadas, doentes crônicos e maiores de 65 anos
foram aconselhados a ficar em casa e o trabalho remoto é promovido,
continua sendo o principal foco da pandemia no país com um total de
339.431 positivos para coronavírus e 4.618 mortes desde o início
da epidemia.
A
situação se agravou em São Petersburgo, segunda cidade da Rússia
mais afetada, e que nas últimas 24 horas registrou 557 infecções,
novo recorde de casos diários, e 34 mortes.
Itália
Os
novos casos de coronavírus na Itália, cerca de 5,5 mil por dia,
começam a preocupar o governo, que decretou algumas novas medidas
como o fechamento de restaurantes à meia-noite, e às 21h, caso não
haja serviço de mesa.
A
medida mais surpreendente e que está gerando as reações mais
negativas é a proibição dos clássicos "jogos" de
esportes de contato, como futebol ou basquete, entre amigos durante
a semana.
As
medidas constam em um novo Decreto da Presidência do Conselho de
Ministros (Dpcm), assinado esta manhã e com validade de 30 dias.
Por enquanto, o Governo de Giuseppe Conte reiterou que qualquer tipo
de confinamento nacional como o da primavera passada está
descartado.
Também
será proibida a realização de festas privadas em locais públicos
e discotecas, tanto ao ar livre como dentro de casa. Festas como
batizados, casamentos em restaurantes e funerais com até 30 pessoas
seguem permitidos.
Polônia
O
primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki foi colocado em
quarentena depois de entrar em contato com uma pessoa que testou
positivo para covid-19.
Morawiecki
indicou em sua conta no Facebook que continuará liderando suas
tarefas governamentais e que mantém contato direto com os
colaboradores e membros de sua equipe.
Nas
últimas 24 horas, foram registradas 5.068 novas infecções,
informaram as autoridades sanitárias do país. No sábado, 5,3 mil
casos de coronavírus foram relatados, a maior marca em um dia em
toda a pandemia e o quarto máximo diário consecutivo.
França
O
presidente francês Emmanuel Macron prepara novas medidas
restritivas com seu governo na terça-feira para conter a propagação
do coronavírus, que pode incluir algum tipo de toque de recolher
noturno nas áreas mais afetadas. Macron divulgará as medidas esta
noite, em um anúncio pela televisão.
A
ministra da Habitação, Emmanuelle Wargon, deixou em aberto o leque
de medidas possíveis e lembrou que o primeiro-ministro, Jean Castex,
indicou na segunda-feira (12) que tudo deve ser feito para evitar o
regresso ao confinamento geral.
Castex
insistiu que "nada pode ser excluído quando se olha para a
situação dos hospitais" quando questionado sobre a
possibilidade de impor confinamentos locais.
Outra
medida possível - inicialmente filtrada pelo jornal Le Point e
confirmada por outros meios - é um toque de recolher que impeça as
saídas noturnas, que seria imposto em algumas das áreas urbanas
que estão em alerta máximo.
Na
segunda-feira, o órgão de saúde pública registrou 8.505 novas
infecções, número bem menor do que nos dias anteriores, mas que não
é surpreendente, pois corresponde ao fim de semana, quando são
feitos muito menos exames.
República
Tcheca
De
vitrine da Europa na luta contra a pandemia do coronavírus, com
taxas de infecção insignificantes na primavera, a República
Tcheca passou a liderar o ranking de infecção no outono, algo que
os especialistas atribuem à imprevisibilidade e populismo dos políticos.
Com
uma taxa de infecções acumuladas nas duas últimas semanas de
493,1 por 100 mil habitantes, o país da Europa Central está bem à
frente da Bélgica (402,5) e da Espanha (308,1).
Os
responsáveis estão preocupados com o fato de que o
sistema hospitalar pode entrar em colapso nas próximas semanas, já
que dos quase 6o mil casos positivos atuais, mais de 2,1 mil estão
hospitalizados, com 438 em estado grave.
Reino
Unido
Assessores
científicos do governo britânico questionaram a estratégia do
primeiro-ministro Boris Johnson contra a pandemia e recomendaram no
mês passado um "curto" isolamento nacional para conter o
vírus, de acordo com documentos oficiais que vazaram pela imprensa
na terça-feira.
Três
semanas atrás, o líder conservador foi recomendado a introduzir
"imediatamente" duras restrições nacionais para
controlar a pandemia, incluindo um breve isolamento nacional de duas
a três semanas para "quebrar o circuito" da propagação
do coronavírus.
Em
vez de seguir esses conselhos, Johnson optou por medidas mais
frouxas, como a chamada "regra dos seis" - que proíbe
reuniões sociais de mais de seis pessoas - e o avanço do horário
de fechamento dos pubs, sob pressão de seu dono da Economia, Rishi
Sunak, a fim de evitar danos excessivos à atividade econômica.
Espanha
Na
Espanha, o ministro da Saúde, Salvador Illa, assegurou que não
existem circunstâncias para levantar o estado de alarme em vigor
desde a última sexta-feira na Comunidade de Madri, a pedido das
autoridades da região, que ainda precisam controlar e diminuir o número
de casos.
O
ministro fez questão de justificar o estado de alarme para dar
cobertura jurídica e segurança às medidas de confinamento
perimetral de nove municípios da comunidade, inclusive a capital,
com mais de 4,5 milhões de habitantes.
Segundo os últimos
dados, Madrid continua com uma incidência cumulativa de mais de 500
casos por 100 mil habitantes, cerca de 20% de resultados positivos
nos exames diagnósticos e 40% de ocupação da UTI, disse o
ministro.
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