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HC DE RIBEIRÃO RETOMA CIRURGIAS DE TRANSPLANTES APÓS IMPACTO DA PANDEMIA
  . REGIS

    
Queda nos procedimentos foi de 40% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado

                                

  



As cirurgias de transplantes no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP começam a voltar à normalidade após o impacto da pandemia no hospital. Por conta disso, foi registrada uma queda de 40% nos procedimentos no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

Já em todo o Brasil, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, a redução nos transplantes foi de 37% entre janeiro e julho deste ano, se comparado com o mesmo período de 2019. “A situação foi tão dramática que 80 pessoas que estavam na fila para transplante de córnea no Estado de São Paulo perderam a visão em decorrência da não realização do transplante. A pandemia paralisou as atividades do Banco de Córneas que já foi autorizado a funcionar.” A afirmação é de Marcelo Bonvento, médico coordenador da Organização de Procura de Órgãos do HC, e foi publicada pelo Jornal da USP. Ainda segundo o médico, o trabalho agora é de recuperar a visão desses pacientes com a retomada dos procedimentos. 

Marcelo Bonvento também afirmou em entrevista ao Jornal da USP que a pandemia reduziu a doação de órgãos de 30% a 50% em alguns estados do Brasil e os desafios enfrentados pelas equipes transplantadoras foram grandes. “Nós perdemos nossa equipe de retaguarda de enfermeiros, auxiliares e médicos porque muitos se contaminaram com a Covid-19 e provocaram redução na escala de trabalho”, afirma o médico. 

Sem leitos
Houve também, de acordo com o médico, a perda de unidades específicas de terapia intensiva para leitos Covid. “Além disso, toda vez que a gente tinha um paciente potencial doador de órgãos, existia o risco dessa infecção assintomática do Covid e, numa eventualidade de converter em transplante, de que o órgão pudesse estar comprometido pelo vírus e de alguma forma comprometer o receptor do órgão”, explica.

O desafio foi traçar uma estratégia para resolver esse problema. O que foi feito com uma norma adotada pela Secretaria Estadual de Saúde, alinhada com o Sistema Nacional de Transplante, de que todo potencial doador fizesse o teste da Covid-19 para saber se poderia doar. A partir dessa rotina, a situação começou a se normalizar. 

A medida permitiu a retomada paulatina das cirurgias de transplantes e fez o Estado de São Paulo saltar do quinto para o terceiro lugar no ranking brasileiro em efetividade na doação de órgãos. O HC-FMRP abrange 93 municípios e mais de 3,6 milhões de habitantes.

“Em 2019, o HC fez 65 transplantes renais, 20 transplantes de fígado e seis transplantes de pele. Este ano, já foram feitos 17 transplantes renais e 20 de fígado e estamos retomando o de córneas. Estamos voltando à normalidade mesmo com a pandemia”, disse o médico ao Jornal da USP.

 

 


*Com informações do Jornal de USP / Texto de Ferraz Jr.
  

19/11/2020 - Revide
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Divulgação