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VACINA CONTRA COVID PRODUZIDA EM RIBEIRÃO É ALVO DE INVESTIGAÇÃO
     . REGIS

    
Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo investiga um possível um possível conflito de interesses na parceria entre a USP de Ribeirão e Farmacore

                                

  


O MPC-SP (Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo) investiga um possível um possível conflito de interesses no contrato que foi assinado entre a USP de Ribeirão e a empresa de biotecnologia Farmacore, para o desenvolvimento da Versamune, vacina contra a Covid-19.   

O grupo já entrou com pedido de autorização junto à Anvisa para o inicio dos testes em humanos. A expectativa é começar a aplicação nos voluntários em junho.

Investigação 
Segundo o MP, o Professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão, Célio Lopes Silva, que atua como coordenador da pesquisa da vacina Versamune foi sócio e consultor da Farmacore.   

Além disso, o MP aponta  um possível grau de parentesco do docente com a CEO da empresa, Helena Faccioli Lopes.  

Em um documento de 2012, referente a admissão do pesquisador como sócio pesquisador da Farmacore, consta o mesmo endereço da  CEO. Os dados estão disponíveis na junta Comercial do Estado de São Paulo. 

O procurador do MPC-SP, João Paulo Giordano Fontes, esclarece que  o vínculo do pesquisador público com a sociedade privada gera potencial prejuízo ao princípio da impessoalidade na elaboração e celebração do convênio. 

Resposta 
Diante dos indícios apontados pelo MPC-SP, o conselheiro Dr. António Roque Citadini, relator das contas da USP, enviou um despacho à Reitoria da Universidade, para cobrar explicações.  

Em resposta, o reitor da instituição de ensino, Vahan Agopyan, dá mais detalhes de como é a parceria entre a USP de Ribeirão e a Farmacore. Confira abaixo a nota na íntegra.  

"Ao contrário do que comumente se pensa, a produção de conhecimento científico e avanço tecnológico raras vezes se dá pelo desenvolvimento isolado por um indivíduo ou instituição.  

A partir do licenciamento deste produto, a Farmacore viu a possibilidade de se criar uma vacina contra o Covid-19. Depois de formulada a hipótese inicial, fez-se necessária a prova de conceito, o que demandou a participação de um dos laboratórios da Universidade de São Paulo. Como esclarece o Professor Dr. Celio Lopes, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto FMRP. 

Para apreciar este tipo de parceria, a Universidade de São Paulo realiza um procedimento de análise do interesse científico e tecnológico. 

Para tanto, são analisadas por seus colegiados, corpo técnico e Núcleo de Inovação Tecnológica NIT o modelo de parceria apresentada. 

Em julho de 2020, foi aprovada a parceria em que a Universidade simplesmente auxiliaria no teste de conceito e a empresa forneceria a tecnologia, bem como insumos. 

Como resultado da parceria, a Universidade terá direito sobre parte da propriedade intelectual que, porventura, vier a decorrer desta parceria. Paralelamente, foi outorgado ao docente coordenador do projeto financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, que subsidiou custos deste teste de conceito, como o professor Dr. Célio Lopes mesmo informa.  

No entanto, ocorre que, como todo desenvolvimento tecnológico, nem sempre o conceito original se mostra viável e, no presente caso, a empresa procurou outros meios e parceiros que detinham capacidade técnica para avançar em outras possíveis vacinas.  Por isso, ainda não é possível falar de uma vacina em que a USP terá participação.  Acredito que estas informações mais gerais são úteis para entender o tipo de parceria que foi estabelecido".

Outro lado
A reportagem do ACidade ON, procurou a assessoria da USP de Ribeirão Preto, mas até o fechamento desta reportagem não houve  retorno.   

Já a empresa de Biotecnologia Farmarcore, disse que não tem nada a declarar pois ainda não foi notificada. 

 


  

13/05/2021 - ACidadeON
Foto:  Divulgação / PMRP