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Queiroga diz que cerca de 600 milhões de vacinas já foram
contratadas
O
ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse hoje (14) que a realização
da Copa América no Brasil foi um sucesso em termos de protocolos
preventivos contra a covid-19, de forma a provar ser possível
vislumbrar a reabertura de atividades no país, em especial o
retorno dos estudantes às salas de aula.
“Em
relação à Copa América, tivemos sim uma prova de que é possível
compatibilizar, mesmo dentro de um ambiente pandêmico, a prática
de outras atividades que são importantes, porque o país não pode
ficar o tempo inteiro parado. Caso contrário, não teremos arrecadação
de imposto e o orçamento que aqui é reclamado não resultará em
verba”, disse o ministro durante audiência pública da Comissão
de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados.
Segundo
o ministro, por meio de "protocolo rigoroso se conseguiu
realizar um evento com sucesso e, ao contrário do que se dizia, de
que a pandemia ficaria descontrolada por conta da Copa América, o
que assistimos foi uma melhora dos indicadores econômicos”.
Queiroga
disse que, seguindo os protocolos, os jogadores identificados com a
covid-19 foram “adequadamente isolados”. “Esse exemplo
deve ser citado como uma forma de realizar um evento dentro desse
contexto, já que nós, com o controle da pandemia, já temos de
vislumbrar a reabertura das atividades, como por exemplo as aulas,
que devem voltar porque é impossível que nossos alunos fiquem fora
das aulas por tanto tempo.”
Orçamento
O
ministro informou que cerca de 600 milhões de vacinas já foram
contratadas, o que dá ao governo certeza de que até o final do ano
todos com idade acima de 18 anos já tenham recebido as duas doses
de vacina. “Não estaremos absolutamente tranquilos, porque
teremos uma série de outras situações relacionadas ou não à
covid-19 para enfrentar”, disse referindo-se, também, às
“consequências ainda graves de indivíduos recuperados”.
“Para
isso precisamos de recursos orçamentários. É fundamental que o
governo federal atue em absoluta sintonia com o Congresso Nacional
para que consigamos, em 2022, ter um orçamento compatível com a
necessidade de enfrentamento dos problemas sanitários decorrentes
da pandemia e dos que já nos espreitam de maneira habitual”,
acrescentou.
Queiroga
disse que desde 2017, com a emenda que estabeleceu o teto de gastos,
houve redução do orçamento de uma forma geral, mas que “de
certa forma” sua pasta foi preservada graças à correção que
seu orçamento teve, vinculada ao Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA). “Em 2021, nosso orçamento estimado é em torno de
R$ 131,2 bilhões, acrescidos de R$ 38 bilhões em créditos
extraordinários, o que perfaz cerca de R$ 169 bilhões, que serão
destinados às ações de serviços públicos de saúde. Ou seja,
temos expectativa de, talvez, termos o maior orçamento que o Ministério
da Saúde dispõe nos últimos anos. Creio que ainda é pouco para o
que temos de enfrentar”, disse.
A
afirmação de que o ministério estaria com o “maior orçamento”
dos últimos anos foi questionada por parlamentares. “Vossa
senhoria disse que o orçamento do ministério é o maior. Eu quero
discordar, porque uma coisa é o orçamento do ministério
independentemente do orçamento de guerra. O orçamento do ministério
está decrescendo. O de 2020 foi inclusive menor do que o de 2019 e
de 2018”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) ao afirmar
que o crédito extraordinário obtido pelo ministério seria, na
verdade, “reposição do que havia sido cancelado”.
Riscos
Segundo
a deputada, que é também médica, a pasta corre sérios riscos com
o “represamento de muita demanda, inclusive eletiva, que vai
explodir daqui a pouco, de tratamento oncológico e todas demandas
eletivas necessárias que estão completamente represadas nos
estados, municípios e nas instituições federais”.
Em
resposta à deputada, o ministro disse que mencionou valores
absolutos e que, se aplicadas correções inflacionárias, de fato o
que seria observado seria a redução de recursos. “Há perdas,
sim, no orçamento. Os créditos extraordinários têm sido um
alento para termos aporte de recursos, mas reconheço que precisamos
discutir a questão do orçamento de maneira mais própria, visando
às prioridades do SUS”.
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