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Mais
de 12 milhões de doses da vacina foram envasados em fábrica não
autorizada pela Anvisa e, por isso, tiveram o uso suspenso. Governo
de SP diz que não foram observadas 'intercorrências em termos
gerais' nas pessoas que receberam o imunizante no estado.
O
estado de São
Paulo já aplicou 4 milhões de doses da vacina CoronaVac
que pertencem aos lotes que tiveram a distribuição
e a aplicação suspensa pela Anvisa neste sábado (4).
O
número corresponde a cerca de 19% do total de 21 milhões de doses
da CoronaVac aplicadas no estado ao longo de toda a campanha de
vacinação contra a Covid-19,
disse, em nota, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo. No
comunicado, a pasta afirmou ainda que não foram observadas
"intercorrências em termos gerais" nas pessoas que
receberam esses imunizantes.
O
governo de São Paulo afirmou ainda que "toda a rede está
orientada sobre a importância do monitoramento de todas as
pessoas vacinadas, independentemente do imunizante
administrado" e que vai aguardar "o parecer das
autoridades sanitárias para proceder com a distribuição de 1,5
milhão de doses da Coronavac entregues a SP nesta sexta (3)".
A
Anvisa anunciou, na tarde deste sábado, que mais
de 12 milhões de doses da vacina passaram por processos de produção
em uma fábrica na China que não foi inspecionada pela Anvisa e,
por isso, terão o uso suspenso no Brasil. Outros 9 milhões de
doses desses lotes estão em tramitação de envio e podem chegar ao
Brasil em breve.
As
Secretarias de Saúde de pelo menos 13 estados e do Distrito
Federal confirmaram que receberam vacinas desses lotes e que
estão entrando em contato com os municípios para suspender a
aplicação a partir de agora.
Quatro
desses estados (Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio de Janeiro e São
Paulo) confirmaram que já aplicaram na população parte das
doses recebidas desses lotes.
De
acordo com o diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres, a partir de
agora, os estados e municípios não devem usar as vacinas desses
lotes. Além disso, quem recebeu doses que foram alvo da
suspensão deverá ser acompanhado pelas autoridades de saúde,
disse o diretor da Anvisa.
"A
primeira providência é não usar. Aquelas [doses] que
eventualmente já tenham sido utilizadas, as pessoas que já tenham
sido vacinadas, essas pessoas serão monitoradas", disse Barra
Torres em entrevista à GloboNews.
O
diretor da Anvisa disse ainda que, além do monitoramento feito pelo
Ministério da Saúde, haverá um acompanhamento por parte da própria
agência.
"Existe
a monitorização feita pelo próprio Ministério da Saúde, existe
a monitorização feita pela Anvisa, e pelas vigilâncias locais.
Então são pessoas que serão observadas e, obviamente, qualquer
necessidade de ajuste vacinal para o futuro, ele será feito",
disse Barra Torres.
Butantan
atesta qualidade
Segundo
a chefe de assuntos regulatórios e de qualidade do Instituto
Butantan, as vacinas envasadas em fábrica não certificada não
oferecem riscos à população. Ela ressaltou ainda que essas doses
passaram pelo processo de controle de qualidade do Butantan.
"Todos
esses lotes que vêm da China, que vêm da Sinovac pro Butantan,
eles são analisados pelo nosso time de qualidade, não só
documentalmente, mas, também, a gente analisa o produto, e a gente
não teve nenhum indício de problema de qualidade", explicou
Patrícia Meneguello, do Butantan.
A
suspensão das doses produzidas na fábrica não certificada tem o
prazo de 90 dias. Durante esse período, a Anvisa vai trabalhar na
avaliação das condições de boas práticas de fabricação da
unidade não inspecionada para saber se a qualidade, a segurança e
a eficácia da vacina estão comprometidas, e qual o impacto para a
população vacinada com essas doses.
"Não
cabia outra decisão a não ser promover a interdição cautelar.
Interdição cautelar é preventiva de qualquer eventual problema.
Nesse meio tempo, uma vez instalada a interdição, prosseguem as
tratativas, os diálogos com o instituto para que os documentos
necessários sejam apresentados", disse Barra Torres.
Em
nota, o Instituto
Butantan disse que "a medida da Anvisa não deve
causar alarmismo", declarou que foi o próprio instituto que
alertou a Anvisa por "extrema precaução" e que
"convida a cúpula da Anvisa para voltar a conhecer as instalações
das fábricas da Sinovac" na China.
"Todos
os lotes liberados pelo instituto estão de posse do Ministério da
Saúde, como firmado em contrato. Reafirmamos, no entanto, que todas
as doses que saíram da unidade fabril estão atestadas pelo
rigoroso controle de qualidade do Butantan", disse o instituto
em nota.
O
Instituto disse ainda que encaminhou à Anvisa, há 15 dias, a
documentação necessária para a certificação do processo de
produção em que foram feitas as doses agora banidas.
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