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Apesar
do cenário, pesquisadores defendem avanço na imunização
Com
o avanço da imunização e um contingente de mais de 100 milhões
de pessoas totalmente vacinadas contra a covid-19, o Brasil
registrou ontem (13) a menor média móvel de vítimas da doença
desde abril de 2020. O patamar é resultado de uma queda contínua
registrada desde o fim do primeiro semestre deste ano. Em 1º de
julho, a média móvel era de mais de 1,5 mil mortes por dia,
indicador que chegou ontem a 316 por dia, segundo dados do painel
Monitora Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No
pior dia da pandemia,
Apesar
do cenário de melhora, pesquisadores ouvidos pela Agência
Brasil defendem que ainda é preciso avançar mais na vacinação
e chegar a 70% da população com esquema completo de vacinação
antes de flexibilizar as medidas de prevenção de forma mais
contundente.
O
epidemiologista e pesquisador em saúde pública da Fiocruz Raphael
Guimarães destaca que o progresso da cobertura vacinal é o
principal responsável pela tendência consistente de queda nas
internações e óbitos observada no segundo semestre deste ano, mas
alerta que a circulação de pessoas nas ruas já retornou ao nível
pré-pandemia.
"Analisando
os números de forma mais fria, diria que é um bom momento, talvez
um dos melhores que a gente já atravessou", disse, ressaltando
porém que o alívio não prejudique as medidas de prevenção, como
usar máscara, evitar aglomerações, higienizar as mãos e se
vacinar.
"Falar
em um bom cenário traz sempre um pouco de esperança para as
pessoas, mas é preciso que elas compreendam que um cenário melhor
não significa que a pandemia está vencida. Elas podem se sentir um
pouco mais aliviadas porque estamos vendo progressivamente a melhora
na situação sanitária, mas não significa que é o momento de
relaxar geral. É ter um alívio com responsabilidade".
Uma
flexibilização mais segura das medidas restritivas requer uma
cobertura vacinal que alcance ao menos 70% a 80% da população, na
opinião do pesquisador da Fiocruz.
Segundo
o painel de dados da fundação, o Brasil tem hoje 47,2% de sua
população totalmente vacinada e 70,31% que tomou ao menos a
primeira dose. Diante disso, ele reforça a importância de
completar o esquema vacinal com as duas doses e ainda a dose de
reforço para os casos em que ela for prevista. O epidemiologista
acrescenta que a recomendação da vacinação independe de a pessoa
ter tido covid-19 previamente. "Não existe nenhum estudo que
diga de forma contundente que ter covid-19 no passado garanta
imunidade permanente. Tanto é que temos muitos e muitos casos de
notificação de pessoas que tiveram covid-19 mais de uma vez".
Apesar
de o principal impacto da vacinação ser nos óbitos e internações,
o epidemiologista acrescenta que as vacinas estão retardando a
circulação do vírus. A média móvel de novos casos de covid-19
também está em queda progressiva desde junho, o que Guimarães
relaciona à vacinação dos mais jovens, que são a população que
mais circula e contribui para a disseminação do vírus.
Feriado
Guimarães
acredita que, devido ao feriado prolongado de 12 de outubro, pode
haver uma oscilação da média móvel para cima nos próximos dias,
o que não compromete a avaliação de que a tendência é de queda.
"Sempre que tem feriado, a gente acaba tendo um pouco de
defasagem na notificação. A gente espera que na média móvel a
gente possa ter um aumento discreto nos próximos dois dias, mas
isso não vai impactar na tendência".
O
vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto
Chebabo, concorda que o feriado pode ter contribuído para acentuar
a queda de óbitos nos últimos dias. "Por causa do feriado,
pode demorar a acontecer o registro de casos e dos óbitos, e isso
pode impactar um pouco para baixo, mas seria um desvio padrão
pequeno em relação ao que a gente está vendo na série
toda", minimiza, lembrando que o fim do inverno e o início da
primavera também ajudam na redução de doenças de transmissão
respiratória.
Chebabo
disse não ter dúvidas de que o Brasil vive hoje o momento menos
grave da pandemia da covid-19 desde que o vírus se espalhou e começou
a causar um grande número de casos no país, em abril de 2020. Ele
acrescenta que também não há dúvidas de que a vacinação é a
principal explicação para a melhora.
"Se
não fossem as vacinas, a gente ainda teria uma população suscetível
muito grande no país podendo se infectar. A vacina que fez essa
mudança de transformar grande parte dessas pessoas que eram suscetíveis
em pessoas menos suscetíveis", disse. Ele destaca que a proteção
conferida pelos imunizantes é mais potente e duradoura que a da própria
infecção natural, o que justifica a recomendação de que mesmo as
pessoas que já tiveram covid-19 devem se vacinar.
O
infectologista reforça que o patamar de imunização necessário
para medidas de flexibilização, como a liberação de máscara em
alguns ambientes fechados, é de 70% a 80% da população totalmente
vacinada. "Quando estamos falando de esquema completo, é a
terceira dose do idoso também", esclarece. "Aí a gente
vai ter uma situação mais confortável e um menor risco de ter
recaídas, mesmo que sejam pontuais em alguns estados e
locais".
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