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Criada
em 2001, Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto ampliou o
acesso à leitura e consolidou uma programação cultural e
educativa que mobiliza diferentes gerações
Após
24 edições realizadas desde 2001, a Feira Internacional do Livro
de Ribeirão Preto (FIL) chega à 25ª edição consolidada como um
dos principais eventos literários do país e um dos projetos
culturais de maior permanência na história da cidade. Ao longo
dessa trajetória, ampliou o acesso aos livros e à leitura,
aproximou autores e leitores, tornou-se internacional e estruturou
uma programação cultural, educativa e artística em diferentes
espaços públicos e equipamentos culturais do centro de Ribeirão
Preto.
A
edição comemorativa será realizada de 30 de agosto a 5 de
setembro, com o tema “X, Y, Z, Alpha, Beta – Gerações Literárias”.
A programação coloca em diálogo diferentes formas de produzir,
transmitir e renovar a literatura, reunindo autores, educadores,
estudantes, pesquisadores, artistas e leitores.
Para
a presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto,
Adriana Silva, os resultados alcançados refletem a continuidade de
um projeto construído coletivamente. “Chegar aos 25 anos, depois
de reunir cerca de 7 milhões de visitantes e mais de 3 mil autores,
mostra a capacidade de mobilização da FIL e sua presença na formação
cultural e leitora de Ribeirão Preto. Essa trajetória foi construída
com a participação de escritores, educadores, estudantes, instituições,
patrocinadores, parceiros e, principalmente, do público, que faz da
feira um espaço de encontro e circulação de ideias”, afirma.
Um
projeto que cresceu com a cidade
A
realização de uma grande feira do livro em Ribeirão Preto já
mobilizava escritores, educadores e instituições culturais antes
de 2001. A primeira edição concretizou esse movimento e
estabeleceu a proposta de ocupar espaços públicos, ampliar o
acesso à literatura e aproximar a população de autores e obras.
À
época secretário municipal da Cultura, o jornalista e escritor
Galeno Amorim coordenou a implantação do projeto. Para ele, a
ampliação progressiva da programação e a participação de
diferentes setores contribuíram para a continuidade da iniciativa.
"A
feira veio em um crescente, agregando novos segmentos, atraindo
apoiadores e financiadores, o que consolidou e ampliou o projeto
original”, destaca.
A
professora e escritora Maris Ester de Souza, que acompanhou a
mobilização anterior à primeira edição, lembra que a criação
da FIL concretizou uma demanda já existente no meio cultural.
“Havia uma mobilização dos escritores da cidade em prol de algo
como a feira, mas precisávamos de ação. Foi o que aconteceu
quando Galeno Amorim conseguiu concretizar o sonho de muitos”,
recorda.
Nos
anos seguintes, a feira ampliou o número de atividades, passou a
receber convidados de outros países e incorporou novos espaços da
região central. A programação também avançou para além dos
encontros literários, reunindo música, teatro, exposições,
oficinas, debates e ações educativas.
Para
o médico e escritor Nelson Jacintho, que acompanha a FIL desde sua
criação, a internacionalização representou uma etapa importante
dessa trajetória. “Foi um grande crescimento para a cultura do
nosso povo”, afirma. Segundo ele, o evento também contribuiu para
estimular o surgimento e a projeção de novos escritores na cidade.
Formação
de leitores desde a primeira edição
A
participação das escolas constitui um dos eixos permanentes da
FIL. Desde sua criação, o evento promove iniciativas destinadas a
aproximar crianças e jovens dos livros, dos escritores e dos
processos de produção literária.
Uma
das primeiras ações foi o projeto Eu sou o autor, realizado em
2001, que envolveu cerca de 11 mil crianças da educação infantil
na produção de pequenos livros apresentados durante a edição
inaugural.
A
publicitária Gabriela Delfante tinha seis anos quando participou da
iniciativa. Vinte e cinco anos depois, continua frequentando a Feira
do Livro e relaciona a experiência ao seu interesse pela leitura,
pela arte e pela cultura. “Viver a experiência infantil de ir
para a feira foi como descobrir um outro mundo, de muitas
possibilidades. A FIL permanece fazendo parte da minha história.
Sigo apaixonada por livros, pela leitura, por arte e cultura, pois
foram ferramentas que me formaram como ser humano”, afirma.
Outro
projeto voltado à formação de leitores é o Combinando Palavras,
realizado pela primeira vez na FIL em 2017. Em sua oitava edição,
a iniciativa acumula a participação de mais de 60 mil estudantes,
62 autores trabalhados e mais de 300 escolas e instituições
parceiras.
O
projeto aproxima estudantes e escritores por meio de um percurso que
começa com a formação dos professores, passa pela leitura das
obras em sala de aula e culmina nos encontros presenciais realizados
durante a FIL. Antes de conhecerem os autores, os alunos participam
de pesquisas, atividades pedagógicas e produções inspiradas nos
livros selecionados.
Os
trabalhos podem envolver literatura, artes, história, geografia, ciência,
gastronomia e tecnologia, conforme as propostas desenvolvidas pelas
escolas. Durante os encontros, os estudantes apresentam perguntas,
reflexões, releituras, poemas, ilustrações, vídeos, músicas e
outras produções, além de conversarem com os escritores sobre as
obras, os processos de criação e suas trajetórias profissionais.
A
presidente da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto (ALARP),
Eliane Ratier, destaca que a programação gratuita e a realização
em espaços abertos também contribuíram para ampliar o alcance do
evento.
"Trazer
escritores importantes é um ponto de destaque. Além disso, ser
realizada a céu aberto e gratuitamente amplia o acesso da população
à literatura”, observa.
Literatura
e ocupação dos espaços públicos
Em
sua trajetória de 25 anos, a FIL passou a ocupar praças, teatros,
bibliotecas, centros culturais e outros espaços da região central
de Ribeirão Preto. Essa configuração permitiu que atividades
literárias, educativas e artísticas fossem realizadas
simultaneamente e integradas à dinâmica da cidade.
A
feira também abriu espaço para escritores, editoras, livreiros,
educadores, artistas e coletivos culturais locais e de outras regiões,
promovendo lançamentos, encontros, debates e intercâmbio de experiências.
Segundo
Adriana Silva, a permanência da FIL está relacionada à capacidade
de preservar sua história e, ao mesmo tempo, acompanhar as
transformações culturais e sociais. “Uma feira que atravessa 25
anos precisa reconhecer o caminho percorrido e continuar dialogando
com as mudanças na educação, na produção cultural e nas formas
de leitura. O tema da edição de 2026 parte justamente desse
encontro entre gerações, valorizando o que foi construído e
abrindo espaço para novas linguagens, autores e leitores”,
acrescenta.
Edição
de 25 anos
Com
o tema “X, Y, Z, Alpha, Beta – Gerações Literárias”, a 25ª
FIL abordará as relações entre diferentes gerações de autores e
leitores e as mudanças nas formas de criar, compartilhar e consumir
literatura. A programação reunirá conferências, debates,
encontros com escritores nacionais e internacionais, lançamentos de
livros, apresentações culturais, atividades educativas e ações
permanentes em diferentes espaços da cidade. A proposta é
estabelecer conexões entre a tradição oral, o livro impresso, as
linguagens digitais e outras formas contemporâneas de criação e
circulação de histórias.
Sobre
a FIL
A
FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto chega à 25ª
edição em 2026. Realizada pela Fundação do Livro e Leitura de
Ribeirão Preto, a programação reúne debates, encontros com
autores nacionais e internacionais, atividades educativas, ações
de formação de leitores e iniciativas culturais em diferentes espaços
da cidade, com uma programação dedicada às diferentes formas de
produzir, transmitir e renovar a literatura ao longo do tempo.
Sobre
a Fundação
A
Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de
direito privado, sem fins lucrativos, responsável pela realização
da Feira Internacional do Livro da cidade e por feiras promovidas em
municípios do interior paulista.
Além
dos eventos literários, desenvolve projetos relacionados ao livro,
à leitura, à educação e à cultura durante todo o ano. Suas ações
são realizadas com o apoio de mantenedores, patrocinadores e
recursos provenientes de leis e programas de incentivo, entre eles a
Política Nacional Aldir Blanc, o ProAC Editais, a CULTSP, a
Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de
São Paulo e o Ministério da Cultura.
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